Sexta-feira, 16 de Março de 2007

Educação inclusiva

No episódio de 4ª feira, dia 14 de Março, da novela “Páginas da Vida”, transmitida pela SIC, assistiu-se a um notável diálogo entre a personagem Helena, mãe de uma criança com Trissomia 21, e a directora de uma escola de ensino especial. Tratava-se do dilema da escolha, pela mãe, entre uma escola de ensino “regular” ou uma de ensino especial. Este episódio transportou-me anos atrás, para o início de um ano lectivo em que me foi atribuída uma turma de pouco mais de 20 alunos que, como me foi comunicado, tinha alguns alunos sinalizados como tendo algum tipo de deficiência.
Segui estes alunos durante dois anos, no 8º e 9º anos de escolaridade. Era uma turma muito heterogénea. Agora, lembrei-me claramente de alguns deles.
O Bernardo, aluno bonito e brilhante, daqueles de quem se diz que é “um aluno de cinco a tudo”. Ele e os pais, legitimamente, interrogavam-se sobre se não seria prejudicial continuar nesta turma, se não seria melhor pedir para mudar para outra sem alunos problemáticos. Porque as expectativas que tinham sobre o futuro académico do Bernardo eram muito elevadas. Mas acabou por ficar. A última vez que o vi, estava a frequentar o Instituto Superior Técnico.
A Marisa, uma das tais alunas sinalizadas, no início do ano acompanhava com relativa facilidade as actividades dos outros alunos. Mas à medida que o tempo passava, invadia-a um cansaço que aumentava progressivamente. A partir de certa altura, não conseguia acompanhar os colegas. E só com muito incentivo ela cumpria algumas das tarefas que lhe eram propostas.
O Serafim, sempre risonho e bem disposto, tinha muita dificuldade em acompanhar algumas disciplinas. Mas era emocionante ver o seu caderno sempre muito bem organizado, com uma letra muito bem desenhada. E o orgulho com que me apresentava os trabalhos que tinha feito em casa, voluntariamente e por sua iniciativa.
A Soraia era a que tinha maiores dificuldades e que se esforçava menos. Estava ausente a maior parte do tempo.
Os restantes alunos não apresentavam problemas de aprendizagem e iam cumprindo o seu percurso escolar.
Nunca mais vi nenhum deles.
Além dos aspectos relacionados com a aprendizagem, havia outro problema: controlar e contrariar a tendência de alguns para gozarem e humilharem os menos dotados, não só do ponto de vista intelectual, mas também do ponto de vista físico. A crueldade que se manifesta nas relações entre adolescente reveste-se, por vezes, de grande violência.
Na altura, não me lembro de haver qualquer discussão, na escola, sobre a vantagem ou a desvantagem da inclusão de alunos com necessidades educativas especiais em turmas do ensino “regular”. Talvez porque sabíamos todos muito pouco sobre este assunto e não tínhamos dados para ter uma opinião formada. Depois, oficialmente, a inclusão fora decretada e não podíamos fazer mais do que cumprir. É claro que tínhamos uma professora de apoio que aparecia lá de vez em quando e nalgumas reuniões de conselho de turma, mas com uma função mais burocrática do que pedagógica.
Do diálogo que referi no início, na novela, retive a opinião da directora da escola (cito de memória): do ponto de vista teórico, a inclusão será a opção ideal; mas a prática, pelos obstáculos que apresenta, pode funcionar em sentido contrário aos objectivos da inclusão. Em vez de potenciar o desenvolvimento das crianças, pode desencadear processos de rejeição e contribuir para acentuar a exclusão.

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publicado por Júlia às 15:49
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Sexta-feira, 16 de Fevereiro de 2007

Provas globais

Foi anunciado pelo Ministério da Educação que vão deixar de se fazer as provas globais a que tinham de se sujeitar os alunos do 9º ano. Logo vieram alguns protestar contra a sua extinção, porque assim se estava a fomentar o facilitismo, porque haveria menos rigor na avaliação dos alunos nas disciplinas não sujeitas a exame.

Para que serviam as provas globais? A intenção seria verificar se os alunos tinham adquiridos as competências básicas previstas nos programas, uma vez que as avaliações parciais incidem, normalmente, sobre temas ou parte da matéria das disciplinas. É evidente que a bondade das provas era muito discutível porque dependia do modo como eram elaboradas. No entanto, o seu peso em termos de classificação final era reduzido, não alterando significativamente o seu resultado.

Desde que foram introduzidas, verificou-se que tinham aspectos negativos. Retiravam um período de tempo significativo às actividades lectivas e, mesmo que as aulas continuassem após a sua realização, os alunos não estavam psicologicamente disponíveis para continuar o processo de aprendizagem, tornando-se para os professores difícil gerir esta situação. Além disso, como sempre foram conotadas com os exames, durante o período em que eram realizadas, os alunos só se preocupavam em estudar para aquela que iria ser realizada a seguir e que incluía todos os conteúdos da disciplina (embora na prova só estivessem presentes alguns). Como não havia interrupção das actividades, os alunos tinham de frequentar todas as aulas, com os professores a tentarem ensinar novas matérias. Era um período muito pouco produtivo e que implicava um processo burocrático bastante pesado.

Curiosamente, quando foram decretadas, houve muitas vozes a protestar contra as provas globais. Agora que foram abolidas também há protestos.

Começa a ser cansativo o que se passa na educação porque muitos dos que protestam quando as "inovações" são adoptadas, também protestam em sentido contrário quando elas são retiradas.

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Sábado, 3 de Fevereiro de 2007

eduquês

Tornou-se moda criticar a escola e os resultados dos alunos atribuindo os maus resultados à influência do "eduquês". E o que será esta coisa? Nada mais do que a nefasta influência das Ciências da Educação e, sobretudo, das concepções construtivistas da aprendizagem. Nuno Crato chega mesmo a atribuir ao construtivismo a responsabilidade pela catastrófica situação da educação em Portugal.

Mas em que se baseiam estas pessoas bem pensantes para fazer esta crítica? Embora não o digam explicitamente, parece que chegam a estas brilhantes conclusões através dos discursos que se foram produzindo desde há alguns anos pelo Ministério da Educação, principalmente desde que foi Secretária de Estado a Prof. Ana Benavente.

O que eles não sabem é que nem sempre há coincidência entre os discursos oficiais e a prática nas escolas.

Será que foram investigar a relação entre os maus resultados e as práticas dos professores?

Será que os professores que procuram adequar as suas práticas aos princípios da concepção construtivista da aprendizagem são os que têm piores resultados?

Desconhecem que muitos professores continuam a ensinar segundo o método tradicional, o tal que lhes permitiu serem "senhores doutores", em que o professor transmite o seu saber e supõe-se que os alunos aprendem quando conseguem reproduzir o mais fielmente possível esse discurso?

 Se estes senhores se informassem melhor, talvez evitassem transmitir para a opinião pública ideias erradas sobre os problemas de que enferma a educação, cuja situação é muito complexa.

Um dos exercícios que poderiam fazer era comparar os programas que eles próprios tiveram enquanto alunos e os programas actuais. Talvez tivessem uma surpresa. E os programas, embora nas intenções pareçam orientar-se pelo construtivismo, os conteúdos desmentem essas intenções. Reflectem mais as modas e paradigmas das disciplinas, transferindo do ensino superior conteúdos por vezes pouco adequados ao ensino básico e secundário.

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publicado por Júlia às 18:30
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Terça-feira, 16 de Janeiro de 2007

monodocência no 2º ciclo

Foi anunciado pelo Ministério da Educação a intenção de prolongar o regime de monodocência ao 2º ciclo do ensino básico.

Reacção dos sindicatos a que já estamos habituados: são contra. E aduzem razões que já ouvimos relativamente a outros assuntos da educação: é diminuir a qualidade do ensino, etc..... como se existisse uma grande qualidade...

Nos argumentos que ouvimos nenhum responde a esta questão: o que é melhor para as crianças que frequentam este ciclo? (Não nos podemos esquecer que entram no 2º ciclo crianças com 9 ou 10 anos).

Será que após um 1º ciclo com um único professor, não vão ter dificuldade em enfrentar um ciclo com oito ou mais professores?

No Jornal da 13 horas da SIC foi entrevistada uma professora da Escola da Vialonga que achou que a medida até nem estava longe das práticas da escola, porque já adoptaram a orientação da tutela e os professores leccionam por área curricular e não por disciplina. Felizmente que algumas escolas têm professores e, sobretudo, uma direcção que pensa os problemas dos alunos.

 

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Domingo, 14 de Janeiro de 2007

indisciplina 2

Voltando ao conteúdo do documentário da SIC Notícias. Indisciplina sempre houve nas nossas escolas. Mas, parece-me, também sempre houve a tendência para "varrer o lixo para debaixo do tapete". Não convinha admitir, em muitos casos, que professores ou determinadas escolas tinham este problema. Sempre se procurou que todos "ficassem bem na fotografia".

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publicado por Júlia às 12:20
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Terça-feira, 9 de Janeiro de 2007

indisciplina

As imagens do programa "Toda a Verdade" da SIC Notícias de ontem são chocantes mas elucidativas do que se passa em muitas escolas, não só inglesas. Recordem-se as imagens recolhidas pela RTP numa escola dos arredores de Lisboa, no ano passado. Não eram muito diferentes daquelas. São situações em que alunos não só não querem aprender, mas que se caracterizam por atitudes marginais (ou será delinquentes?)

O mais chocante ainda é a classificação das escolas que se desvenda no programa. Camuflar realidades não contribui para resolver os problemas.

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Segunda-feira, 8 de Janeiro de 2007

sucesso 1

Pretende-se, todos pretendem, ver reduzidas as taxas de insucesso escolar de modo que se aproximem dos valores que apresentam noutros países, nomeadamente nos países europeus. É muito constrangedora a nossa situação em termos de escolarização quando comparados com outros países nossos parceiros na União Europeia. E muito pior quando pensamos nas consequências desta situação para o desenvolvimento do país.

Temos uma realidade muito dual: por um lado pessoas altamente qualificadas que podem competir com qualquer outra seja de que país for; por outro, uma massa enorme de pessoas com poucas qualificações, que mais não podem ser que trabalhadores indiferenciados.

O sucesso educativo depende de muitos factores. À partida depende da vontade de aprender dos alunos. A motivação para aprender pode existir na pessoa, sem qualquer estímulo exterior. Deste modo, torna-se fácil atingir o sucesso, o que acontece com grande parte dos bons alunos.

Outros há que necessitam de ser motivados para aprender. Esta motivação pode nascer em casa, seja porque estão integrados em famílias com elevado grau de instrução, seja porque a família tem elevadas expectativas sobre os efeitos da educação em termos sociais e profissionais. Mas se as famílias não estimularem as crianças e os jovens para a necessidade de aprender? Creio que, neste caso, tem de haver campanhas que mostrem os efeitos para o futuro dos jovens de uma instrução reduzida e insuficiente. Os pais têm uma responsabilidade de que não se podem escusar. As acções de esclarecimento poderiam ser da iniciativa estatal, embora acções centradas nas escolas e dirigidas às comunidades locais também fossem importantes, dado o factor proximidade e conhecimento da realidade de cada uma.

Mas a motivação também pode ser desencadeada na escola, através das práticas profissionais dos professores, bem como por influência do grupo de amigos. Nestes casos, os alunos beneficiam de contextos favoráveis ao sucesso.

 

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Quarta-feira, 3 de Janeiro de 2007

Não servirás a dois senhores...

Volto à questão da gestão das escolas.

Se os conselhos executivos são eleitos pelo pessoal docente e não docente das escolas é natural que procurem corresponder às expectativas de quem os elegeu. As caracterísitcas destes podem variar muito no que respeita ao profissionalismo.

- Podem predominar os profissionais empenhados, que têm a nítida compreensão da sua missão (não confudir com missionários...), ou seja, da razão pela qual estão a trabalhar numa escola - o sucesso educativo dos alunos. Encaram a profissão como um processo dinâmico, que é preciso rever constantemente, em função dos diferentes alunos com que têm de trabalhar. Consideram o conhecimento da sua área específica e uma boa relação pedagógica como factores importantes que facilitam o processo de aprendizagem dos alunos.  A formação é fundamental, na medida em que contribui para enriquecer o elenco de estratégias facilitadoras da sua actividade docente, bem como proporcionar momentos de reflexão sobre o trabalho realizado.

- Mas também podem predominar as pessoas que encaram a actividade docente com menos profissionalismo, que se interessam pouco por evoluir, que não conseguem ter uma boa relação com os alunos... que ensinam sem se importar com a aprendizagem. São simples burocratas que cumprem mais ou menos os horários e procuram que os incomodem o menos possível.

Mas os conselhos executivos também são os representantes do Ministério da Educação nas escolas. E é sua obrigação cumprir e fazer cumprir as leis e directivas.

A questão que se põe é se estes "dois senhores" têm objectivos coincidentes. Pelo que já se disse, depende das características de  cada escola.

Há escolas que conseguem acompanhar ou mesmo antecipar as mudanças fundamentais ao seu bom funcionamento, respondendo às necessidades da sociedade; outras dificilmente conseguem evoluir.

As primeiras, conseguem avaliar-se, resolver problemas e envolver as pessoas  nas estratégias de mudança - têm líderes que motivam e tomam decisões. Quanto às segundas, não têm essa capacidade. Limitam-se a "gerir" o dia a dia, sem uma perspectiva de gestão estratégica e sem uma assunção clara do que é a missão da escola.

Veja-se como as escolas resolveram o problema das aulas de substituição. Algumas investiram em projectos que proporcionam um enriquecimento dos alunos, outras limitam-se a "gastar" o tempo sem qualquer objectivo educativo.

O Presidente da República, no seu discurso de Ano Novo, desejou ver resultados no que respeita à educação.

Pergunto: Qual a estratégia do ME para a gestão das escolas?

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publicado por Júlia às 10:53
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Sexta-feira, 29 de Dezembro de 2006

Fim de ano

Chegados a final de Dezembro, é inevitável o processo de balanço. O que fizemos durante os 12 meses do ano que agora termina? Quais os grande acontecimentos, feitos e personalidades que marcaram 2006?

No que respeita ao país, tenho seguido com alguma atenção o que se passa na educação. Talvez por ser um sector em que a situação chegou a um ponto praticamente insustentável. Concordando com algumas medidas e encarando outras com certo cepticismo, acho que não se atacou o verdadeiro nó górdio do problema: a gestão das escolas.

As escolas são geridas, em muitos casos, por pessoas sem o menor perfil e sem preparação para o desempenho de uma função social de tão grande importância. Até porque a gestão de uma escola é muito complexa. Lida sobretudo com pessoas que é preciso motivar para o sucesso educativo dos alunos. Também a gestão dos conflitos é fulcral para o bom desempenho da escola. Além disso, tem de ter uma grande sensibilidade a lidar com os parceiros do meio (pais, autarquias, empresas, etc.).

As escolas só podem ser organizações aprendentes se as pessoas que nela trabalham estiverem motivadas para aprender. Ora, o modo como estas pessoas encaram a formação, a aprendizagem ao longo da vida, não é muito entusiasmante. E o problema é que não é através de novas leis que se altera esta realidade. A mudança não acontece por imposição exterior, mas por vontade das pessoas que integram a organização.

Assim sendo, o que irá mudar realmente?

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publicado por Júlia às 15:02
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