Quarta-feira, 14 de Março de 2007

Olivença IV - A ponte da Ajuda

As comunicações de Olivença com outras terras portuguesas limítrofes foram sempre dificultadas pelo Rio Guadiana.
Até ao século XVI o transporte de pessoas e mercadorias era feito por barca. E esta era de tal modo importante que, no foral novo, concedido por D. Manuel em 1 de Junho de 1510, um dos capítulos estabelecia os direitos e deveres que Elvas e Olivença tinham sobre a barca.
No reinado de D. Manuel foi mandada fazer uma ponte fortificada a unir as duas margens do rio. A ponte da Ajuda, sempre que havia guerra, era destruída, voltando-se ao transporte por barca até à sua próxima reconstrução. Em 1668 foi reconstruída pela última vez e em 1709, durante a Guerra da Sucessão de Espanha, foi definitivamente destruída, podendo ainda ver-se o que resta dos seus arcos e fortificações.
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A velha Ponte da Ajuda, vista da margem direita do Guadiana

Já nos anos 70, havia da parte dos oliventinos o desejo de reconstrução da Ponte da Ajuda, não por razões sentimentais, mas na expectativa de que os fluxos que se viessem a estabelecer contribuíssem para o seu desenvolvimento.

A parte da ponte que se encontra na margem esquerda já foi objecto de obras, enquadradas no "Projecto de recuperação e reabilitação da Ponte Antiga da Ajuda para fins pedonais e turísticos". No entanto, este projecto não se concretizou.

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Ponte da Ajuda na margem esquerda, em parte recuperada pelos espanhóis

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Foi entretanto construída uma nova ponte que permite a ligação directa entre as duas margens do Guadiana, com ligação à cidade de Elvas.

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A nova Ponte da Ajuda, vista da margem esquerda do Guadiana

Neste local, o Rio Guadiana mostra já as consequências da construção da Barragem do Alqueva. Neste local, a corrente era muito tumultosa devido à irregularidade do leito do rio. Agora, as águas, mais calmas, espraiam-se para além do que eram as antigas margens.

concelhos e outros temas: ,
publicado por Júlia às 16:33
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2 comentários:
De Jorge P. de Freitas a 25 de Março de 2008 às 09:25
Caríssimos,

Sobre a ponte de Olivença, mais um pouco da sua história:
http://guerradarestauracao.wordpress.com/2008/03/22/palcos-de-operacoes-1-a-ponte-de-n%c2%aa-sr%c2%aa-da-ajuda-ou-de-olivenca/

Cumprimentos,
Jorge P. de Freitas
De olivencalivre a 26 de Março de 2009 às 22:46

OLIVENÇA DEFENDE PORTUGUÊS
(grande fotografia do Convento de São João de Deus em Olivença, com carros e pessoas à
sua porta)
ANTÓNIO MARTINS QUARESMA/HISTORIADOR
Conforme o «Alentejo Popular» noticiou no último número, realizou-se no passado 28 de
Fevereiro, em Olivença, um encontro, que teve por tema central o português oliventino,
isto é, o português alentejano ainda falado naquela cidade pela franja mais idosa da
população.
A organização deste Encontro deve-se à recentemente fundada associação oliventina Além
Guadiana, que, estatutariamente, persegue a revitalização das raízes culturais
portuguesas, em particular da língua. Esta Associação, dirigida por jovens, representa em
Olivença uma nova maneira de encarar a cultura tradicional, valorizando-a e combatendo o
preconceito que normalmente atinge as formas de cultura popular.
O Encontro foi apoiado pelas instituições locais e regionais espanholas, como o
"Ayuntamiento" de Olivença e a Junta de Extremadura, que aliás estiveram presentes
através do Presidente da Junta, o também oliventino Guillermo Fernández Vara, e pelo
"Alcalde" de Olivença, Manuel Cayado Rodríguez.
Recorde-se que em Olivença, antiga vila portuguesa desde o século XIII, anexada à
Espanha no princípio do século XIX, o português se falou maioritariamente, até há bem
pouco tempo. Hoje em dia, é falado apenas por uma minoria, mas os vestígios materiais da
presença portuguesa são numerosos e muito visíveis. A influência portuguesa é sentida
também nos «pormenores». A doçaria, por exemplo, onde sobressai um saboroso doce, que dá
pelo peculiar nome de técula-mécula, é familiar ao nosso gosto alentejano.
Nesta jornada estiveram presentes alguns linguistas, portugueses e espanhóis, cujas
comunicações se revestiram de alto nível. Eduardo Ruíz Viéytez fez ressaltar a ideia de
que a defesa das línguas minoritárias, como o POrtuguês oliventino, é também uma questão
de Direitos Humanos e uma preocupação do Conselho da Europa. Juan Carrasco González
explicou as variedades linguísticas da fronteira. Lígia Freire Borges falou no papel do
Instituto Camões. José Gargallo Gil dissertou sobre fronteiras e enclaves na Península.
Manuela Barros Ferreira trouxe o MIrandês, a língua minortitária de trás-os-Montes.
Manuel Jesus Sánchez Fernández focou as dificuldades do Português oliventino. Servando
Rodríguez Franco mostrou exemplos de alterações toponímicas em Olivença, resultantes da
interpretação castelhana do POrtuguês. Domingo Frades Gaspar discorreu sobre a língua do
vale do Eljas. António Tereno, o único responsável político português presente, explicou,
por sua vez, as vicissitudes por que tem passado o processo de «classificação» do
«barranquenho».
Um momento especial foi a intervenção de José António Meia-Canada (querem apelido mais
alentejano?), natural de Olivença, que, na sua língua materna, deu genuíno testemunho do
Português oliventino.
Por fim, foi projectado um projectado um documentário sobre o Português de Olivença,
realizado a propósito. Após a projecção, com a noite já entrada, a Jornada terminou, no
meio de geral satisfação, pelo seu êxito e pela geral convicção de que se estão a
realizar acções profícuas no sentido da defesa do Português oliventino.
Uma palavra ainda sobre a Associação Além Guadiana. Ela tem o seu sítio na "net", onde
se podem encontrar notícias sobre as actividades que desenvolvem, para além de diversas
informações com interesse. Basta procurar no Google, ou ir directamente aos endereços
"http://wwwq.alemguadiana.com" e "http://alemguadiana.blogs.sapo.pt/". O Presidente da
Direcção é Joaquim Fuentes Becerra. Os restantes mebros são Raquel Sandes Antúnez,
conhecida de todos os que gostam de boa música e do grupo oliventino Acetre, Felipe
Fuentes Becerra, Fernando Píriz Almeida, Manuel Jesús Sanchez Fernández, Eduardo Naharro
Macías-Machado, Maria Rosa Álvarez Rebollo, José António González Carrillo, António
Cayado Rodríguez e Olga Gómez.
À laia de apelo, deixamos aqui uma nota final, dirigida especialmente às entidades
portuguesas responsáveis pela política cultural, para que, à semelhança do que fazem os
nossos amigos oliventinos, também em Portugal se preste atenção ao Português alentejano
de Olivença.

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