Quarta-feira, 26 de Março de 2008

Santa Eulália. Velharias

Em Santa Eulália, concelho de Elvas, encontram-se algumas lojas especializadas. Na loja de um correeiro podem admirar-se belas selas, arreios para cavalos e outros objectos de couro. Existe também uma casa que faz os tradicionais capotes e samarras, ainda hoje usados no Alentejo e não só. Foi lá que comprei o capote que foi usado durante bastante tempo pelo meu filho e, passados quase trinta anos, outro que tem agasalhado o meu neto.

Visitei Santa Eulália num domingo, o que significa que as lojas estavam fechadas. Mas o amplo pátio da loja de velharias tinha o portão aberto, pelo que não resisti a espreitar o que lá se podia ver. 

 

Numa das paredes estavam expostos estes alcatruzes de nora que, em tempos, serviram para elevar a água de um qualquer poço. Agora, a sua função será meramente decorativa.

 

Um carrinho de mão em ferro, usado para transportar os cântaros que, no caso, são de barro e de folha de flandres. Ainda me lembro das mulheres irem à fonte transportando à cabeça os pesados cântaros de barro cheios de água. O uso destes carros aliviava em muito essa penosa tarefa.

 

Outro carro de mão que serve de floreira a uma piteira.

 

Perfilados ao longo da parede, os potes de barro. Objectos fundamentais para armazenar produtos de vária ordem. Na casa dos meus pais eram usados para a conserva da azeitona. Para essa função tinham de ter um tramento especial, revestidos no interior com pez.  Também me lembro de serem usados para derregar a cal que era utilizada na pintura das paredes.

concelhos e outros temas:
publicado por Júlia às 09:30
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7 comentários:
De Ana Paredes Mendes a 26 de Março de 2008 às 16:08
Adorei Júlia,
desde os alcatruzes aos potes de barro! atmbém recuperei uns potes para colocar em casa, mera função decorativa, apesar do seu simbolismo ser muito importante! Quanto aos alcatruzes, acho-os muito bonitos. Aqui na zona ainda existem muitas noras mas a maior arte delas estão muito afastadas da estrada e não tive oportunidade ainda de as fotografar. Tenho algumas fotos de um poço antigo que era do meu avô...gosto muito dele, não só pelo sentimento familiar como pela tradição.
Um abraço!
De Júlia a 26 de Março de 2008 às 17:10
Olá Ana,
cá em casa tenho um pote de barro que tem uma história extraordinária. Quando fizémos obras de recuperação da casa, levantou-se o chão da cozinha e descobriu-se um pote enterrado. Não estava partido, pelo que foi pedido aos pedreiros que o tirassem com todo o cuidado. É grande e muito bonito. Tinha dentro uma tigela e restos de ossos que me pareceram de borrego. Tenho também um pote de azeite em folha que veio de casa dos meus pais.
Bj
De Rosa Guerreiro Dias a 27 de Março de 2008 às 11:07
Sim, é interessante ver estas peças.
Hoje decorativas.
Outrora utilizadas no dia a dia.
Ao vê-las fico a pensar, quão pobre e simples era a vida, como foi possivel nós termos sobrevivido a tão parcas condições, por exemplo o cantâro de folha de flandres, ou de zinco como era mais conhecido, era aí que se transportava a agua para ser destribuida no campo pelos homens e mulheres que trabalhavam de sol a sol.
E assim deu para escrever.



Servida em cantâro de zinco
A agua vai aliviando
Essa calma esse cansaço
De quem anda trabalhando

Entra na boca e se cospe
Está quente que nem caldo
E o pobre lá vai cantando
Triste vida , negro fado

Foi isto que eu lembrei ao ver estas peças qual delas com sua historia, e ainda a gente se queixa da vida de hoje, nem rei nem rainha tinha o privilegio de ter o que nós hoje temos, acreditem se quiserem mas que isto é verdade, lá isso é.
Os alctruzes das noras, quantos eram puxados por animais que por levarem horas e horas rodando em volta da nora, tinham que lhe tapar os olhos com uma venda para que o animal não ficasse tonto, e por vezes se parava lá era chicoteado para que continuasse rodando, ainda há quem lhe chame burro, ele era inteligente pois para não apanhar, rodava , rodava, rodava até que o mandassem parar, pobre burro, pobre animal.
Amiga agradecida por estas imagens sem elas não se contaria a nossa história traga mais, e eu terei sempre uma quadra , uma palavra adequada a elas.
Se me for permitido claro.

Aquele abraço da amiga Rosa Dias
De artesaoocioso a 27 de Março de 2008 às 23:32
Embora continui com o Fotos Sapo avariado, «roubei» a foto dos potes para posterior utilização.
Este meu «colega» é bem mais produtivo do que eu.
Cumprimentos.
João Gonçalves
De Júlia a 28 de Março de 2008 às 12:02
É esquisito como ainda não conseguiu resolver o problema das fotos. Eu não tenho dificuldade em importar e publicar as minhas.
Quanto ao "roubo" esteja à vontade. Fico muito satisfeita que use as minhas fotos.
Cumprimentos
Júlia

PS: fiz para aqui uma manobra esquisita e respondi a um comentário como se fosse seu. Vou apagá-lo e pô-lo no devido lugar.
De artesaoocioso a 29 de Março de 2008 às 21:17
Boa noite
Também não percebo o que se passa e o problema arrasta-se há vários meses.
Já propus à equipa do SAPO a desactivação da página
e e abertura de outra nova.
Bom fim-de-semana
João Gonçalves
De Júlia a 28 de Março de 2008 às 12:03
Eu é que tenho de agradecer os seus comentários e os poemas que faz a propósito das imagens que vou publicando.
Abraço amigo
Júlia

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