Terça-feira, 28 de Dezembro de 2010

Ruína

 

 

Já foi casa de quinta de visconde, com tudo o que uma quinta deve ter: jardim, horta, pomar, olival... Hoje, a casa é uma ruína que tem vindo a cair aos poucos e o campo circundante é pouco mais que um descampado, despido de árvores. Perto da casa foram construídos uns inestéticos barracões e a única atividade que se observa está relacionada com alguns cavalos que por ali se vêem, de vez em quando, a pastar.

Confesso que era a casa e a quinta que eu gostaria de ter tido. Talvez por isso dá-me uma imensa pena ver o estado de abandono a que está votada. Mas são sinais dos tempos: todas estas pequenas explorações agrícolas que constituiam uma coroa à volta da vila têm vindo a ser sistematicamente abandonadas. Por um lado porque deixou de haver quem as cultivasse; por outro, a produção agrícola em larga escala e a facilidade dos transportes inundou o mercado de produtos mais baratos - muitas vezes de pior qualidade.

 

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publicado por Júlia às 08:23
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14 comentários:
De Rafael Carvalho a 28 de Dezembro de 2010 às 20:00
Resta a consolação de servir de poiso e morada a uma família de cegonhas, quiçá também a uma ou outra osga, também ela com direito à vida...
Cumprimentos.
De Júlia a 30 de Dezembro de 2010 às 14:00
Rafael,
Quanto às cegonhas, não ser por muito tempo: é só a chaminé ruir e o ninho vai atrás.
Claro que outros animais adoram estas ruínas.

Cumprimentos
De Luiz a 29 de Dezembro de 2010 às 10:24
Literalmente em ruínas, ilustra perfeitamente a outra ruína mais vasta e profunda a que se refere.
De Júlia a 30 de Dezembro de 2010 às 14:02
E depois lamentamos a destruição do nosso "tecido produtivo"... Mas a verdade é que, actualmente ninguém quer trabalhar a terra, apesar das técnicas terem tornado este trabalho muito menos penoso. Os imigrantes de Leste agradecem.
De Luiz a 30 de Dezembro de 2010 às 18:24
Uma certa casa agrícola, com propriedades não muito distantes daqui, teve, até há poucos anos, dezenas de trabalhadores ao seu serviço. Ultimamente, apenas ali permanecia um gestor, eventualmente membro da família, e menos de meia dúzia de trabalhadores. Entretanto, o gestor foi substituído e mais de metade do pessoal foi despedido.
Nada indica que essa "evolução" se deve à falta de vontade das pessoas para trabalhar a terra. Essa falta de vontade sempre existiu. Simplesmente, não tinham outro remédio.
De Júlia a 31 de Dezembro de 2010 às 15:13
É claro que o problema do abandono da produção agrícola tem vários fatores explicativos. Entre eles a malfadada Política Agrícola Comum que foi concebida para proteger a agricultura dos países ricos, como a França e a Alemanha. Depois, também a mentalidade dos grandes proprietários do nosso país, sobretudo os do Sul, que sempre viveram à sombra dos subsídios. É curioso verificar que as mesmas terras que para eles não serviam para produzir, servem agora para os espanhóis virem plantar os olivais intensivos e outras culturas.
De Luiz a 1 de Janeiro de 2011 às 12:56
Os donos destas terras, os antigos, há umas dezenas de anos, ainda mantinham a tradição feudal: contratar toda a mão-de-obra disponível na zona, a preços de mera sobrevivência, obstar a toda e qualquer espécie de desenvolvimento local que pudesse encarecer essa mão-de-obra, a troco de uma relativa protecção do emprego da população. Os mercados, se existiam, estavam reservados aos senhores, que vendiam como podiam, pela mão dos seus feitores, as produções, de formam a obterem algum lucro para sustentar a sua burguesia decadente na capital do Reyno.
As terras eram tão pobres nesses tempos como o são hoje. Mas hoje os mercados existem, e até a mão-de-obra passou a fazer parte deles. A terra, incapaz de competir, ficou à margem de tudo isso.
Hoje existem uma manadas de gado, resguardadas por quilómetros e quilómetros de vedações de arame farpado, pagas, ao que se diz, por subsídios de Bruxelas, o mesmo é dizer pelo dinheiro dos impostos de todos nós e, principalmente dos países mais ricos e contributivos. Mas até essa "mama" parece estar condenada a acabar.
De Júlia a 1 de Janeiro de 2011 às 18:01
Também conheci personagens de histórias como a que conta, de senhores da terra que viviam na capital, à grande e à francesa (como se costuma dizer) e, quando mal esperavam, estavam arruinados. Até houve um senhor de Galveias que se veio aproveitando desses desvarios de latifundiários.
Li há tempos a história recente de Galveias e fiquei impressionada com o modo tudo tem vindo a desenvolver-se.
Por aqui há casos de sucesso porque há terras de muito boa qualidade e são geridas com muito trabalho.
De Luiz a 1 de Janeiro de 2011 às 18:33
Antes que alguém fique com a impressão de que as famílias ficaram arruinadas e as terras votadas ao total abandono, tenho de vincar que nada disso se passa.
No que respeita à terra, não se pode sequer falar de sub-exploração. Está a ser utilizada de forma a que seja minimamente rentável, já que não há condições para fazer melhor.
Quanto às famílias, ao que julgo saber, os rendimentos das fracções que lhes vão cabendo por heranças e partilhas, mesmo não sendo migalhas, não serão suficientes para manter modos de vida faustosos. Os rendimentos da terra, enquanto proprietários absentistas, são apenas uma parte. Vivem dos seus empregos ou de outras aplicações de patrimónios antigos. E há muito que são militares de patente, advogados, gestores, etc. Não parece ser gente de cruzar os braços, e ainda bem.
Esse caso de Galveias é uma outra história, aliás bastante atípica.
De Júlia a 2 de Janeiro de 2011 às 11:19
Claro que, como em tudo na vida, não se pode generalizar. Também há e houve proprietários rurais sensatos e que cuidaram de assegurar os modos de vida dos seus descendentes, mesmo dos que não ficaram ligados à terra.
De João Renato a 31 de Dezembro de 2010 às 12:07
Júlia,
Quando você diz que os imigrantes do leste agradecem significa que a área rural de Portugal tem recebido trabalhadores imigrantes do leste europeu ?
Abraço,
JR.
De Júlia a 31 de Dezembro de 2010 às 15:07
Olá João Renato,
Pois é, as pessoas que por estes dias trabalham no campo são sobretudo imigrantes da Europa de Leste.
Desejo-lhe um bom ano de 2011
Abraço
De manuel figueiredo a 24 de Agosto de 2012 às 11:20
amiga Júlia, estive a vero seu blog e confesso que está bastante completo e fácil de se ver!
apenas gostaria de perguntar uma coisa:
A quinta abandonada que tem o post de Campo Maior é mesmo em campo maior?
Como se chama a quinta?
obrigado pela atenção!
abraço grande!
De Júlia a 26 de Agosto de 2012 às 15:51
Ora viva sr. Figueiredo!

A quinta da foto é conhecida como a quinta do visconde e fica a seguir ao quartel dos bombeiros, mais ou menos em frente da piscina municipal.
A casa está agora em pior estado, do que aparece na foto. É uma pena porque devia ser uma casa bastante bonita.
Abraço

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