Quinta-feira, 1 de Outubro de 2009

Flor da Rosa. Casas

As aldeias alentejanas caracterizam-se, em geral, pela densidade da área construída. As casas aglomeram-se ao longo de uma rede de ruas mais ou menos estreitas.

Flor da Rosa foge a esta imagem. A aldeia parece ter crescido em função da proximidade do mosteiro e dos vários eixos viários que a atravessam, deixando grandes espaços no seu interior. É provável que a actividade económica que animou a aldeia até meados do século XX, a olaria, também tenha influenciado a sua estrutura. Nestes tempos, era comum ver, em vastas áreas em frente das olarias, grande quantidade de louça a secar ao sol.

 

 Casas tradicionais de Flor da Rosa, com poucas aberturas, grandes chaminés e os poiais (piais) onde os moradores apanhavam o fresco ao fim da tarde.

 

Um conjunto de casas de construção mais recente que as anteriores.

 

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publicado por Júlia às 08:19
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4 comentários:
De Rafael Carvalho a 1 de Outubro de 2009 às 23:44
Pouco frequentes no Norte, acho curiosos os poiais do Sul.
Cumprimentos.
De Júlia a 3 de Outubro de 2009 às 16:21
Depois do seu comentário, reparei que, de facto, nas suas fotos de casas do Norte, este elemento está ausente.
No Sul, o hábito das pessoas se sentarem à porta de casa no Verão, no fim da tarde e princípio da noite, manteve-se mesmo quando as casas não têm poiais. Transportam-se as cadeiras baixas de fundo de "bunho" e é também o momento de convívio entre vizinhos.
Cumprimentos
De Luiz a 3 de Outubro de 2009 às 12:36
"As aldeias alentejanas caracterizam-se, em geral, pela densidade da área construída. As casas aglomeram-se ao longo de uma rede de ruas mais ou menos estreitas."

Seria interessante analisar os motivos de tal limitação de espaço, aplicável também a algumas vilas e cidades.

Uma hipótese seria a estrutura fundiária da região.
Dito de uma forma simplista, os latifundiários não tinham geralmente necessidade de dispor de parcelas dos seus terrenos em favor de terceiros. Limitavam-se a ir deixando construir, dentro dos seus domínios territoriais, as casas para os seus trabalhadores, com o mínimo de espaço indispensável. As casas foram aumentando em número em volta dos montes e assim apareceram algumas das aldeias.

(Eu próprio vivo numa que tudo indica surgiu desta forma, pouco existindo à sua volta que não sejam as propriedades senhoriais e, num pequeno círculo, os terrenos parcimoniosamente distribuídos aos dependentes, para fazerem as suas hortas particulares. Hoje, não existem ali terrenos disponíveis para construção, ou para ampliação da povoação. Ainda não há muito tempo, assisti à aquisição de um imóvel por usucapião , pois os terrenos, passadas várias gerações, ainda estavam registados como propriedade do latifundiário doador.)

Talvez a distribuição dos terrenos em volta do mosteiro de Flor da Rosa tivesse sido feita de forma mais liberal pelos religiosos, quiçá menos ciosos dos bens terrenos!

Tudo isto pode parecer uma brincadeira, mas a observação comprova o que digo. Se estudarmos a história de cada núcleo urbano, vamos encontrar associada à distribuição do espaço a maior ou menor ganância dos senhores que foram, ao longo do tempo, possuindo a terra.
De Júlia a 3 de Outubro de 2009 às 16:12
Se recorrermos aos ensinamentos de Orlando Ribeiro, as aldeias alentejanas ou resultaram do crescimento de alguns montes, facto que é testemunhado pela toponímia (no Crato temos, p. ex.: Monte da Velha, Monte da Pedra), ou cresceram em certos locais encravados no latifúndio, pela necessidade de mão-de-obra eventual. Os montes, como centros de uma exploração agrícola, abrigavam apenas os trabalhadores permanentes.
No caso de Flor da Rosa, como noutros locais, houve a divisão de terras expropriadas às ordens religiosas e sorteadas pelos camponenses pobres. Por isso se designaram por "sortes" essas pequenas propriedades que, mais tarde e nalguns casos, se reagruparam, vendidas pelos seus proprietários a pessoas com maior capacidade financeira.
Claro que uma interpretação mais segura da morfologia de Flor da Rosa, exigia um estudo da sua história e evolução, coisa que não penso fazer. Resta-me observar, fotografar e partilhar algumas das minhas memórias desta aldeia tão peculiar do nosso Alto Alentejo.

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