Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Ouguela

Ouguela é daquelas terras onde não se passa, vai-se. Localiza-se a Nordeste da sede do concelho, Campo Maior, muito próxima da fronteira com Espanha.
 

 Ouguela vista de Sudeste, pela estrada que lhe dá acesso
 
Ao aproximarmo-nos da que já foi vila sede de concelho, a primeira visão que temos é de uma elevação coroada por muralhas de um castelo medieval. Subindo a encosta, em breve se vêem as casas do arrabalde, organizadas em três ruas íngremes com vista para a planura que se estende no sopé do monte, fruto do trabalho de deposição dos dois cursos de água que aqui confluem: a Ribeira de Abrilongo e o Rio Xévora.
 
Uma das ruas do arrabalde, vendo-se ao fundo, a planície aluvial do Abrilongo-Xévora e elevações já em território espanhol. 
 
Estranha-se quando se entra na povoação: o silêncio é apenas cortado pelo canto das aves que se abrigam nas árvores. Dos cerca de 60 moradores, são raros os que se assomam às portas ou janelas, curiosos para ver os visitantes que se aventuram por estas paragens.
 
Ouguela vista da parte Norte. A muralha é interrompida pela brancura da igreja. Na encosta, à direita, o arrabalde e um pequeno bairro de casas relativamente novas. Também se vê a antiga escola, actualmente desactivada e convertida em centro de dia.
  
A igreja resplandece de brancura, pintada recentemente por voluntários devotos de Nossa Senhora da Enxara.
Restam ainda muralhas bem conservadas da antiga fortaleza, defesa de uma fronteira que entretanto perdeu importância estratégica.
Subindo às muralhas e percorrendo o caminho da ronda, desfruta-se de uma paisagem impressionante. Para Sul, uma superfície ondulada ocupada com campos de cultura, dos quais se destaca a geometria dos olivais. Para Norte, as planuras com mosaicos de culturas arvenses e de montado só interrompidas pelas elevações em território espanhol. Na encosta íngreme de uma destas elevações, vigiava a fronteira e Ouguela, qual sentinela, a antiga praça forte de Alburquerque.
No interior, a vila velha, com casas modestas muito ao estilo popular alentejano, mas também algumas que sugerem a condição mais abastada dos seus proprietários.
 
Um recanto da vila velha
 
Ocupando um espaço importante, a seguir à porta gótica da fortaleza, as ruínas de uma casa a que chamam do governador, com janelas onde ainda resiste alguma decoração em relevo. No vasto recinto, as aberturas da cisterna e o forno comunitário. O forno ainda é utilizado na Páscoa para os tradicionais assados de borrego.
 
O forno comunitário
 
Não posso dizer que é a aldeia da minha vida. É uma aldeia que gosto de visitar mas que está a ser progressivamente abandonada por vontade dos homens. Se nada for feito para contrariar o seu destino, com o passar do tempo será um aglomerado de ruínas que irá caindo no esquecimento e nem mesmo as histórias das vidas de quem lá viveu e das peripécias e dramas dos tempos do contrabando, permanecerão na memória das gentes. Porque há quem não aprecie a preservação das marcas e das histórias do passado, como legado fundamental da identidade cultural de uma comunidade.
 
********
Este texto foi preparado como contributo para o blogue "Aldeia da Minha Vida".
Convido todos a visitarem o blogue colectivo em:
 
http://www.aldeiadaminhavida.blogspot.com/
 

concelhos e outros temas:
publicado por Júlia às 00:01
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11 comentários:
De Jorge C. Reis a 9 de Junho de 2009 às 13:12
Júlia
Um dia, quando estive em Ponta Delgada, fui convidado para uma pequena festa onde ia a "gente grada" da cidade.
O "escândalo" foi que as duas senhoras mais "colunáveis" da cidade apareceram com vestidos absolutamente iguais .
É o que pode acontecer nos meios pequenos onde as boutiques de alta costura são muitíssimo poucas.

No nosso caso, eu digo: Ainda bem !!!
Lutemos para que o nosso património histórico e cultural não fique pelas ruas da amargura.
Parabéns pela participação.
De aldeiashistoricasdeportugal a 9 de Junho de 2009 às 18:11
Olá Júlia:

Como já disse na postagem do Jorge Reis, é para isso que servm as blogagens, para a troca de experiências e de ideias sobre o mesmo tema. Ambos postaram sobre a mesma aldeia, mas conseguiram dar perspectivas diferentes e compleentares.

Parabéns pela postgem! Agora fiquei ainda com mais vontade para conhecer melhor o Alentejo, em especial esta linda e encantadora " aldeia".

Aproveito para te dizer que a blogagem decorre no blogue:

www.aldeiadaminhavida. blogspot.com

Informo ainda, que:
A votação começa amanhã, dia 10 e acaba dia 28 de Junho.

Vamos ter bastente tempo para ler e reler todos os textos, para depois escolheremos o melhor, não é verdade?

Que vença a melhor postagem

Bjs Susana
De Júlia a 10 de Junho de 2009 às 09:03
Olá Susana,
Agradeço as tuas amáveis palavras.
O Alentejo espera por ti.
Bjs
Júlia
De Mirian Mondon a 9 de Junho de 2009 às 20:34
Que aldeia deslumbrante! E voce consegue transmitir o charme quase mistico desse lugar!
Parabens!

Tambem participo dessa blogagem, não como concorrente, mas prestando homenagem a Portugal e ao seu povo que tanto amo!
De Júlia a 10 de Junho de 2009 às 09:06
Mirian
No meu Alentejo há paisagens naturais e humanas muito bonitas. Claro que sou suspeita e reconheço as belezas de outras regiões de Portugal. Mas, para mim, esta é especial.
Se nãoconhece, recomendo, quando vier até este lado do Atlântico.
De elvira carvalho a 10 de Junho de 2009 às 13:52
Uma bonita aldeia, a julgar pela sua descrição e pelas fotos.
Parabéns e boa sorte.
De Júlia a 10 de Junho de 2009 às 19:03
Agradeço o seu comentário.
A aldeia é muito interessante. Esperemos que comecem a olhar por ela para não morrer.
De Castela (Portugal Notável) a 10 de Junho de 2009 às 20:24
Olá Júlia
Também eu amo o Alentejo, principalmente na Primavera é um paraíso. Já é segundo texto sobre Ouguela que leio na blogagem colectiva. De certeza que é localidade notável e que em breve do meu blog.
Passarei a segu-la aqui no blog.
Castela
De artesaoocioso a 11 de Junho de 2009 às 22:54
Belas fotografias.
É uma pena mas o destino não sorri para o
Portugal profundo.
Cumprimentos
De Júlia a 12 de Junho de 2009 às 07:51
É verdade que não sorri para Ouguela, mas há casos de sucesso mesmo n Portugal profundo. Tudo depende da vontade de quem tem o poder de decidir.
Cumprimentos
De criação de sites a 29 de Abril de 2010 às 08:45
Show de bola as fotos!
Tanto as paisagens quanto a qualidade das fotos!
Parabéns!

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