Domingo, 1 de Abril de 2007

O meu jardim

 
O meu jardim não tem “chão”, nem canteiros. E isto por causa do modo como cresceu a vila, limitada pela cintura das muralhas. Como não era possível construir fora, as casas foram crescendo em altura e ocupando todos os espaços livres, como os quintais. Mas porque havia necessidade de arejamento e iluminação, ficaram alguns pátios interiores, geralmente pequenos e limitados por paredes bastante altas.
A primeira tentativa que fiz de ter plantas foi exactamente no pátio interior a que chamamos pomposamente de quintal. Está empedrado com calçada, de modo que a plantação foi feita em vasos. No entanto, as condições ecológicas deste espaço são muito peculiares: no Inverno não tem sol, no Verão é muito quente e tem pouco arejamento. Algumas das plantas não apreciaram este lugar. O aloendro desenvolveu uns ramos muito frágeis que se dobravam com muita facilidade; o loureiro, o limoeiro, os gerânios e o folhado nunca floriram. Estas e outras plantas como as primaveras e as azáleas sofriam frequentes ataques de pragas como as cochonilhas, os pulgões e as lesmas.
A vantagem da cultura em vasos é que permite transportá-los facilmente para outro lugar. Foi então que decidi mudar tudo para um dos terraços da casa, ao nível do 2º andar. Aqui há sol durante todo o ano e é bem arejado.
Se a mudança foi bem aceite por algumas plantas, foi fatal para outras.
O aloendro floriu durante todo o Verão. O folhado cobriu-se de flores na Primavera. O limoeiro começou a apresentar as suas flores odoríferas, apesar de ainda não ter conseguido frutificar. As Kalanchoe desenvolveram-se de modo que foram ocupando vasos cada vez maiores, florindo durante muito tempo.

Recanto do jardim, vendo-se os vasos de espargos, de jacintos e as anémonas que convivem no mesmo vaso de uma das Kalanchoe

 

A madressilva que não conseguia desenvolver-se, atingiu uma dimensão considerável e brindou-nos com as suas perfumadas flores.
Mas as azáleas não conseguiram suportar o calor do Verão. Também as dálias que plantei e que ainda apresentaram as suas primeiras lindas flores, depressa morreram, literalmente cozidas pelas altas temperaturas que se registaram no Verão passado. As bolbosas que resistem são as que dão flor na Primavera e estão colocadas à sombra, como os jacintos e as túlipas.
Depois desta selecção natural, e acrescentando com plantas resistentes à secura, consegui ter o meu jardim de vasos. Apesar de não ser fácil de organizar e de manter.
 

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publicado por Júlia às 12:04
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8 comentários:
De pessoalissimo a 2 de Abril de 2007 às 23:10
Olá, Julia

É a primeira vez que venho aqui ao seu cantinho e logo vejo isto cheio de flores e com tão bons cheiros.
Vejo que encontrou um optimo lugar passar a sua aposentação e os seus tempos livres.

Um beijinho
De Júlia a 3 de Abril de 2007 às 16:32
Seja sempre bem-vindo.
E fico contente por apreciar as belezas que a natureza nos proporciona. Quer sejam obtidas pelo nosso trabalho, como o meu jardim que é um dos meus passatempos favoritos, quer através das paisagens que temos a felicidade de poder observar.
Antes de ver esta mensagem, fiz também uma visita ao seu blogue no Sol.
Beijinho
De Tânia Morgado a 9 de Abril de 2007 às 12:02
Olá Julia,

Pois é ... eu aqui... do Além Mar... posso visitar o teu jardim.

Este, que há muito tempo acompanho segundo as tuas descrições tão minuciosas, com as quais é possível fechar os olhos e sentir os aromas das coloridas flores.

Assim, mais uma vez, parabenizo-a pelo cultivo das plantas, das fotos e das poéticas palavras.

Um dia verei tudo pessoalmente ! :)

Um beijo de rosa branca...

Tania Morgado
De Júlia a 9 de Abril de 2007 às 15:15
Olá querida amiga!
Gostei muito de receber a sua visita ao meu jardim. Também espero que possa um dia desfrutá-lo sem ser virtualmente.
Só estou à espera que a roseira branca dê flor para lhe mandar algumas rosas.
Um grande beijo
Júlia
De joão palmela a 2 de Outubro de 2007 às 18:51
Amiga Júlia !
Ora aqui estou eu a ver o seu jardim, não haja duvida que a situação é difícil e só uma grande dedicação poderá compensar a situação. Se me é permitido, penso que as azáleas se comportariam melhor na primeira situação que descreve pois apreciam essas condições, já experimentou ?
Adeus um Abraço,
João Palmela
De Júlia a 3 de Outubro de 2007 às 16:28
João
Tem toda a razão. As azáleas, enquanto estiveram no pátio do rés-do-chão deram-se bem. Foi fatal a mudança para o terraço.
Talvez ainda tente outra vez pôr alguns vasos no pátio porque gosto muito destas plantas.

Um abraço
Júlia
De Maria a 19 de Fevereiro de 2008 às 13:20
Olá

Lindas plantas.
Diz que adora plantas e anda numa de aprendizagem, então digo-lhe que as azáleas não gostão de água calcárea nem de solo calcáreo, pois não é o calor do Alentejo que lhe faz mal,mas sim o solo e a água.
Tem Bonsai? Uma arte Milenar e fantástica.
BJs
De Júlia a 20 de Fevereiro de 2008 às 10:30
Olá Maria ,
Este ano voltei a comprar uma azálea, mas já morreu. Já tinha lido na revista Jardins que as azáleas não gostam de calcário. No entanto, tive algumas durante bastante tempo no pátio do rés-do-chão e regadas com a água da rede.
Quanto aos bonsai, não tenho. Tenho é arbustos em vasos que, por isso, não crescem muito. Mas, praticamente, não os podo, apenas aparo os ramos secos.
Já tinha visto no seu blogue que também se dedica aos bonsai. Deve ser uma arte muito complicada. Não sei se teria paciência para isso.
Bj

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