
Fonte num largo do centro histórico de Castelo Branco

Nuvens cumuliformes, com os seus contornos precisos, desenham figuras no céu azul. Às vezes antropomórficas, outras vezes zoomórficas, outras apenas rolos que parecem feitos de algodão, mas, em todos os casos, um espectáculo natural encantador.
À primeira vista parece uma rua de uma qualquer aldeia do interior granítico. O muro feito de blocos aparelhados de granito, a figueira que espreita do interior do quintal, tudo nos remete para um ambiente rural. No entanto, este muro localiza-se na Travessa das Olarias em Castelo Branco.É evidente que os edifícios contíguos indiciam que não se trata de uma aldeia, mas de uma cidade onde, aqui e ali, restam alguns testemunhos de ruralidade.
Comem-se castanhas e bebe-se vinho...
Frondoso castanheiro (Castanea sativa Miller) com castanhas ainda no ouriço. Serra de S. Mamede. Alto Alentejo.
Ramos de castanheiro, com ouriços ainda verdes e outros que já abriram para largarem as castanhas. Serra de S. Mamede. Alto Alentejo.
Filas de lódão-bastardo (Celtis australis L.) no passeio de uma rua em Castelo Branco. À direita vê-se o gradeamento que limita o espaço do antigo liceu da cidade.
Folhas de um diospireiro (Diospyrus kaki, L.f.), num dos primeiros dias do mês de Novembro. Esta árvore de fruto e também ornamental, é originária da Ásia, tendo um dos nomes científicos por que é identificada (sinonímia, segundo Flora Digital de Portugal, UTAD) a marca dessa origem: Diospyros chinensis Blume
Extraordinário elemento existente na ombreira da porta de um palácio, por onde passava a extremidade de uma corda ou cordão, que servia para tocar a sineta anunciando que alguém pretendia contactar os habitantes do palácio. Apesar da porta ter uns belos batentes, a dimensão da casa não dispensaria esta forma talvez mais eficaz de chamamento.
O belo pelourinho de Elvas.
Publiquei há alguns dias dois posts sobre quartéis do século XVII em Estremoz e em Campo Maior (ver aqui e aqui). Através de um comentário, fui informada de que havia também umas estruturas semelhantes em Elvas, na Rua dos Quartéis. Não pude deixar de aproveitar a oportunidade de ter passado quase um dia inteiro na cidade para ir até à referida rua e fotografar os quartéis. Aliás, não foi a primeira vez que por lá passei mas, noutras ocasiões, não estava desperta para observar este conjunto arquitectónico e não o relacionei com o que melhor conhecia, o de Campo Maior.
O conjunto que aqui fica testemunhado foi objecto de recuperação e parece estar ocupado por oficinas de artesanato. Na altura, um sábado à tarde, apenas uma carpintaria tinha a porta aberta. Não sei se as restantes estarão a funcionar.
O belo cruzeiro manuelino de Castelo Branco, no fim da tarde de um dia de Outubro.
Uma rua do centro histórico, em Castelo Branco. Fico sempre encantada com os alegretes cheios de plantas, algumas das quais, neste caso uma buganvílea, trepando pelas paredes exteriores da casa.
O crescimento das cidades, com os seus modernos prédios de apartamentos, aglutina muitas vezes pequenos aglomerados rurais que existiam nas proximidades da antiga malha urbana.
O destino dessas casas é, normalmente, o seu desaparecimento, uma vez que deixaram de ter a função de acolher pessoas que viviam essencialmente do trabalho do campo. Sendo casas modestas, não correspondem aos critérios de qualidade de vida que actualmente se procuram numa casa. Por outro lado, o preço dos solos cresce vertiginosamente e estas casas estão condenadas a ser adquiridas para, no mesmo lugar, se erguerem os novos edifícios.
Há dias viajei até Castelo Branco, embora o motivo primeiro não tenha sido a visita à cidade. No entanto, no tempo que restou. sempre deu para deambular por algumas ruas e, claro, registar o que me pareceu mais interessante.
As fotos que se seguem, correspondem à primeira imagem que tive da cidade, depois do carro estacionado nas proximidades deste pequeno bairro.
Esta casa parece ainda estar habitada, considerando que as plantas do alegrete estão viçosas e com aspecto de serem tratadas.
Já esta, próxima da anterior, apesar das cortinas na janela, não parece ser habitada. Os arbustos que cresceram livremente em frente da porta dificilmente coexistem com pessoas a entrar em casa.
Estas duas casas e outras que constituem um dos lados de uma rua, estão muito próximas de uma área de expansão da cidade. A continuar a construção de prédios, estas imagens irão, certamente, pertencer apenas a uma memória guardada por alguns.
No ano de 1954, quando se procedia à instalação da rede de distribuição de água ao domicílio, foi construída esta fonte toda em granito.
A estrutura dos Quartéis do Lago, em Campo Maior, é semelhante à do post anterior, referido a Estremoz. Diferem nos pormenores como é o caso das chaminés em Estremoz, mas, no conjunto, são muito parecidas.
É provável que a construção destas instalações destinadas aos militares das respectivas guarnições seja contemporânea das muralhas seiscentistas que foram erguidas nas duas praças-fortes.
Casas no antigo burgo de Estremoz, certamente antigas instalações da guarnição militar.
O frontão barroco da Igreja da Misericórdia de Vila Real.
Bela janela de uma casa da cidade de Vila Real.
Rua da cidade de Vila Real
Em Maio fiz uma viagem por terras do Norte. As cidades, tão diferentes das do Sul, primam pela beleza e pelo cuidado posto na sua recuperação. Aqui, uma vista da principal praça da cidade de Vila Real, onde também se localizam os Paços do Concelho, num edifício barroco que contrasta com a sobriedade das construções dos séculos XV-XVI.
A secura da paisagem num dia do mês de Setembro, vista do largo fronteiro à Ermida de Nossa Senhora da Ajuda. Em tempos, antes da construção da barragem de Alqueva, via-se o leito rochoso do Rio Guadiana, neste período de estiagem. O rio foi domesticado e agora as águas tranquilas reflectem o efeito do obstáculo que foi construído muitos quilómetros a jusante.
Ermida de Nossa Senhora da Ajuda, localizada na margem direita do Guadiana, na encosta sobranceira ao ponto onde se encontra a destruída ponte de Ajuda que ligava os termos de Elvas e de Olivença. De arquitectura popular, é local de romaria.
No dia de Setembro em que visitei o local, o triste espectáculo de um bonito cão faminto, certamente abandonado no local.
Casa tradicional junto à estrada N245. Algumas destas casas, só aparentemente eram pequenas. Conheci bem uma destas casas.
Tinha um telhado de duas águas mas em que a parte que correspondia às traseiras era muito maior do que a que se via da rua. Esta assimetria correspondia a duas funções diferentes da casa: habitação e oficina de olaria. A porta dava acesso à cozinha, para a qual abria um corredor e um quarto de dormir; uma escada de granito dava acesso aos sobrados com pavimento de tábuas, utilizados também como quartos de dormir. O chão era coberto por grandes lajes de xisto. O extenso corredor dava acesso a um vasto telheiro onde se encontravam o torno do oleiro e espaços destinados à arrumação de lenha e da louça.
Atrás da casa, a horta e o olival, com algums árvores de fruto, sobretudo figueiras.
Na frente da casa, os indispensáveis poiais.
As aldeias alentejanas caracterizam-se, em geral, pela densidade da área construída. As casas aglomeram-se ao longo de uma rede de ruas mais ou menos estreitas.
Flor da Rosa foge a esta imagem. A aldeia parece ter crescido em função da proximidade do mosteiro e dos vários eixos viários que a atravessam, deixando grandes espaços no seu interior. É provável que a actividade económica que animou a aldeia até meados do século XX, a olaria, também tenha influenciado a sua estrutura. Nestes tempos, era comum ver, em vastas áreas em frente das olarias, grande quantidade de louça a secar ao sol.
Casas tradicionais de Flor da Rosa, com poucas aberturas, grandes chaminés e os poiais (piais) onde os moradores apanhavam o fresco ao fim da tarde.
Um conjunto de casas de construção mais recente que as anteriores.
A janela pertence a uma casa de dois pisos, com austeras cantarias de granito a enquadrar portas e janelas, e que já conheceu melhores dias. Até me pareceu desabitada e em avançado estado de degradação. No entanto, o som de vozes vindas do interior do rés-do-chão, comprovou que, pelo menos nesta parte da casa, há ainda pessoas a morar.
A grade de madeira do exterior da janela é muito bonita e original.
A casa é tão grande que não coube numa fotografia, apesar da estrada até nem ser estreita e de me ter encostado às casas com que esta confronta.
São casas como esta que lembram velhas histórias de senhores proprietários de terras que não chegava um dia para as percorrer a cavalo. Opulências antigas que se esfumaram em vidas de esbanjamento na capital, convencidos de que a mina não se esgotaria nunca. Mas que um dia acabavam nas mãos de agiotas que se apossavam, por baixo valor, da riqueza que os seus devedores antes ostentaram.
Terras onde os pobres, nos períodos sem trabalho, se alimentavam das ervas que colhiam nos campos porque nem sequer tinham uma nesga de terra onde cultivar o seu sustento.
É este Alentejo de fortes contrastes sociais que a casa me evoca.
Pelourinho de Vila Real, Trás-os-Montes.
Algumas das grandes casas de Estremoz ostentam cheminés originais.
Chaminé de um edifício no interior da cerca medieval.
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